Faz tempo que não venho botar a boca no trombone, também, dizer o que? Minha cidade continua linda (e aqui nem é o Rio de Janeiro).
Ruas limpas, políticos honestos, povo saudável, bem cuidado, criminalidade abaixo de zero em todas as instâncias. E nós acreditamos.
Inda esses dias fui me inscrever em um concurso público, claro, sou uma cidadã consciente e participativa, me orgulharia em fazer parte da máquina administrativa do município, ser mais uma a colaborar para que tudo "continue" lindo.
O cargo era "Conselheiro tutelar", um trabalho difícil, muitas vezes perigoso, porém imprescindível para garantir o bem estar das nossas crianças e fazer com que se cumpra tanto o dever da família quanto do poder público.
Fui, mas não pude realizar a inscrição, mesmo faltando ainda um dia para o término do prazo.
O motivo: não haveria tempo hábil para providenciar os documentos exigidos. Documentos estes que constavam do edital de abertura, que por sua vez estava publicado no Diário Oficial cujo link está no site da Prefeitura de Rio Preto.
Estaria tudo em ordem e perfeito se houvesse (em algum lugar do passado) a referida informação. Nem no portal da cidade, nem no portal da Secretaria de Assistência Social, responsável pelo concurso, nem em matéria publicada na imprensa local. Nem a publicação no Diário Oficial, nem a data da publicação.
O cidadão interessado em preencher uma das vagas disponíveis teria apenas que ser um leitor assíduo do Diário Oficial, nada mais justo claro.
Afinal, numa cidade como a nossa, onde tudo é tão lindo e bem cuidado, e o povo tão instruído, ler o Diário Oficial nada mais é do que um hábito corriqueiro.
E plagiando o Macaco Simão: rarará! É melhor rir do que morrer de raiva.
Claro que resolvi fazer um barulhozinho. Escrevi algumas linhas para a tal Secretaria mostrando minha indignação com a falta de transparência no processo, e também ao Ministério Público, pedindo orientação sobre como proceder a uma denúncia (que eu faria com o maior gosto), mas cortaram meu barato.
Com certeza ao abrir as vagas e disparar mal e porcamente as notícias, "eles" já contavam com a possível intervenção de uma pequena parcela da massa pensante que ainda existe nesta cidade. Tenho certeza de que não fui a única a reclamar e fazer saber que nem todos por aqui são cegos, surdos e mudos. "Grazie a Dio!"
Dois dias depois o prazo para as inscrições foi prorrogado.
É difícil pensar que não se pode esperar muito (ou nada) da administração de nossa Cidade. É uma consciência dura de se ter, quando o que esperamos ao ir as urnas e depositar não apenas um voto mas todas as nossas esperanças em alguns nomes, é justamente o contrário. Não importa qual seja o partido, a ideologia, a linha de pensamento, sempre se espera que os objetivos sejam os mesmos: o bem estar de uma nação, de um povo; resguardar os direitos dos cidadãos, atender às suas necessidades, e blá blá blá blá.
E eu poderia ficar aqui a noite toda, falar por exemplo, do novo e luxuoso gabinete do NOSSO SENHOR PREFEITO (ROGAI POR NÓS OS PECADORES HUMILHADOS), que em breve será mais um belo espaço para receber os concidadãos e munícipes com suas reinvindicações (rarará), ou ainda sobre a "preocupação" do nosso diletíssimo Presidente da Câmara, aquele OSCARzinho, em arrumar a casa e dar condições à vereança para verear dignamente. Cadeiras anatômicas, frigobar, gêneros de primeiríssima necessidade para o trabalho exaustivo de verear em gabinete.
Mas não vou, seria gastar vela demais com defunto ruim, e o preço da vela anda pela hora da morte. Tá, a piada é ruim, mas digam que valeu a intenção e já me dou por satisfeita.
Vou apenas contar mais um causo.
Aconteceu assim: passei os dois últimos dias (ontem e hoje) entre UPA, Santa Casa e HB atendendo meu pai que anda adoentado. Receitados alguns medicamentos de uso controlado o tempo que me sobrou para ir atrás deles foi hoje, no finalzinho do dia. Pela falta de recursos financeiros, busquei uma UBS que tivesse atendimento de farmácia após o horário normal de funcionamento, e encontrei (para minha felicidade) a UBS do Santo Antonio, pertinho de casa, onde me informaram que o atendimento seria até as 19h.
Surpresa: atendem sim, mas medicamentos deste tipo são dispensados apenas até as 16h.
Pergunto porque, e a resposta: determinação da Secretaria de Saúde.
Bem, não perguntei "de quem" era a determinação, e sim o "porque" dela, mas que importa isso? Ordens são ordens, não é?
Para que, afinal de contas, um munícipe/cidadão/ pagador de impostos precisaria saber dos porques das determinações de Secretarias Municipais? Para questioná-las?
Óbvio que não precisa.
E como diz a canção: "assim caminha a humanidade, com passos de formiga e sem vontade". Apesar de que, não concordo muito com ela. Olhando assim, daqui de cima, as formigas me parecem bem organizadas, esforçadas, determinadas, e cheias de vontade, apesar dos passos pequenos. Por aqui, o que se vê é muita vontade e a passos bem largos, mas de se passar o pé, a perna, a mão, o rodo ou o que der em quem for, desde que seja para o SEU próprio bem.
E sobra muita vontade quando se fala em PODER ou, falando diferente, em PHODER o povo.
Monica San
terça-feira, 31 de maio de 2011
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Rio Preto em cima do salto
Num dos belos textos de Cora Coralina, "Conclusões de Aninha", muito simples e sabiamente ela nos conta sobre coisas que vivemos todos os dias.
"A quem te pedir um peixe, dá uma vara de pescar.Pensando bem, não só a vara de pescar, também a linhada, o anzol, a chumbada, a isca, apontar um poço piscoso e ensinar a paciência do pescador.
Você faria isso, Leitor?
Antes que tudo isso se fizesse o desvalido não morreria de fome?
Conclusão:
Na prática, a teoria é outra."
O texto vem recheado com sabedoria suficiente para nos levar à várias reflexões e a tirar também nossas próprias conclusões.Em Rio Preto, por exemplo, os jornais dos últimos dias apontam para grandes novidades que deverão mudar a vida de muitos riopretenses.
Um entreposto da Zona Franca de Manaus, grande investimento do Governo do Estado, deverá fortalecer ainda mais o comércio da cidade, atrair o investimento das cidades vizinhas, e favorecer diversos setores com o crescimento do capital circulante. Também teremos, segundo nosso prefeito, um novo aeroporto com maior capacidade, uma nova rodoviária, além da obra imensa e jamais realizada na cidade para acabar com as enchentes, que já vem acontecendo há alguns meses. Claro que as custas de algumas árvores nativas que foram arrancadas, da concretagem do rio, e com uma certa "imprevisibilidade" sobre a conclusão da obra (será que termina antes do fim deste mandato? será que as enchentes não serão apenas empurradas para a boa e velha zona norte?).
Ah não, eu já ia me esquecendo, a zona norte agora terá um Shopping Center, não poderia correr o risco de ser inundada novamente pelas enchentes.
Rio Preto parece se preparar para saltos altos (salto agulha, será?).
Só o que parece não mudar por aqui é a vida real, esta que pulsa e ferve nas noites e nas ruas riopretenses. Não muda e parece não incomodar muita gente.
O Carnariopreto liberou a entrada de menores desacompanhados. Ano passado foi proibido, mas os pais entravam com eles e depois saíam, deixando-os lá, e a justiça foi feita de boba.
"A justiça é cega mas tem as mãos limpinhas", essa deve ter sido a teoria utilizada para a liberação deste ano.
"Os pais que se responsabilizem por seus filhos" ou "Quem pariu Mateus que embale" não é?
E assim caminha a humanidade.
Sempre pensei que zelar pela vida, pela liberdade de ir e vir, pelos direitos de cada cidadão de ter seus direitos respeitados e preservados, fosse função não apenas de cada indivíduo mas especialmente das pessoas a quem escolhemos em pleito para nos representar, dos magistrados que pagamos (e caro) para fazer as leis e fazê-las cumprir, e enfim, daqueles que juraram em suas posses e formaturas um compromisso com a verdade, com a vida, e blá, blá, blá, blá, blá, blá....
É, pensar as vezes custa caro. As vezes dói, revolta, e muitas vezes nos faz perceber que tem gente demais pensando de menos. De que me vale o entreposto da ZFM, o Shopping Iguatemi, o novo aeroporto, a nova rodoviária, se não posso sequer levar meu filho à praça do meu bairro, que fica a meio quarteirão de casa? Os "mano" tomaram conta dela. Rola por lá "uns baseado" da hora... das três, das quatro, das seis (da tarde).
Na entrada da escola, do lado de fora, o cheiro característico não é das meninas perfumadas nem dos meninos saradões, suadões da malhação, mas da canabis que vai de mão em mão nas rodinhas, sem que ninguém se intrometa ou se manifeste contra. Ai de quem o fizer.
Sem contar nos horários de rua vazia, cedinho ou madrugada, quando não é dificil ver-se um pulando o muro da escola, enquanto o outro "vigia". Viatura da polícia por aqui, vez ou outra até tem. Eles dão uma passadinha, tipo, visitinha de médico. "Pra quem é..." o resto a gente conhece bem.
Mas o que será que todo esse trololó tem a ver com o texto da Cora? Pois é.
As novas obras, dizem, trarão para a cidade milhares de novos empregos.
Então, para que se preocupar em tirar os jovens das ruas? Para que acudir a urgência, se há tempo suficiente para mostrar o caminho do trabalho e da dignidade e esperar que eles aprendam a "pescar"?
Cada um que cuide da sua urgência, das suas crias, das suas mazelas.
O poder público não tem a obrigação de cuidar dos filhos de pais negligentes, mesmo que estes (os filhos) estejam nas ruas (vias públicas, e portanto responsabilidade do poder público), se prostituindo, se drogando, aliciando outros mais jovens, e se matando.
Há coisas bem mais importantes para se fazer. Shoppings Centers, por exemplo.
É muita conivência, para tão "pouca" cidade. Muito caviar, nesse angu de caroço.
Monica San
Para ler "Conclusões de Aninha" acesse: http://www.releituras.com/coracoralina_aninha.asp
http://www.diariosp.com.br/_conteudo/2010/09/7310-cidade+recebera+entreposto+da+zona+franca+de+manaus.html
http://www.riopreto.sp.gov.br/PortalGOV/do/noticias?op=viewForm&coConteudo=58834
sábado, 9 de maio de 2009
Câmaras setoriais - organização e eficiência
Voltando a falar sobre representatividade na administração pública, hoje vou falar sobre uma novidade da atual administração de nossa cidade.
A Secretaria de Cultura criou um mecanismo de representação do artista riopretense, que fará uma ponte entre ele (o artista) e sua secretaria.
São as Câmaras setoriais. Em reunião com o secretário de cultura Deodoro Moreira, os representantes de cada segmento da cultura em Rio Preto e região, elegeram uma comissão para representá-los junto a esta Secretaria, discutindo projetos, tirando dúvidas, resolvendo problemas de forma mais organizada e eficiente.
A Câmara setorial de Literatura foi eleita no dia 26 de março, e já se prepara para botar a mão na massa, com projetos que pretendem levar o escritor até o leitor, divulgando seu trabalho, buscando um engajamento em projetos de incentivo e motivação à leitura, e fomentando em cada cidadão de nossa cidade o gosto pelas letras e a valorização da nossa literatura.
Espero que cada uma das Câmaras setoriais consigam levar adiante seus intentos, contagiando cada vez mais nossa cidade com o olhar sensível e criador do artista.
Precisamos da arte como fonte transformadora e renovadora da alma humana. Como ferramenta imprescindível na construção de um mundo mais humano e voltado para a preservação da vida.
Sucesso!
A Secretaria de Cultura criou um mecanismo de representação do artista riopretense, que fará uma ponte entre ele (o artista) e sua secretaria.
São as Câmaras setoriais. Em reunião com o secretário de cultura Deodoro Moreira, os representantes de cada segmento da cultura em Rio Preto e região, elegeram uma comissão para representá-los junto a esta Secretaria, discutindo projetos, tirando dúvidas, resolvendo problemas de forma mais organizada e eficiente.
A Câmara setorial de Literatura foi eleita no dia 26 de março, e já se prepara para botar a mão na massa, com projetos que pretendem levar o escritor até o leitor, divulgando seu trabalho, buscando um engajamento em projetos de incentivo e motivação à leitura, e fomentando em cada cidadão de nossa cidade o gosto pelas letras e a valorização da nossa literatura.
Espero que cada uma das Câmaras setoriais consigam levar adiante seus intentos, contagiando cada vez mais nossa cidade com o olhar sensível e criador do artista.
Precisamos da arte como fonte transformadora e renovadora da alma humana. Como ferramenta imprescindível na construção de um mundo mais humano e voltado para a preservação da vida.
Sucesso!
domingo, 5 de abril de 2009
Gato por lebre - respeito é bom e eu gosto!
Antes de continuar falando sobre a representatividade do cidadão nas questões referentes à administração pública, faço um aparte para relatar um fato ocorrido comigo e que eu gostaria que servisse de alerta e orientação à alguns pais que, em busca de uma formação adequada para seus filhos, acabam comprando "gato por lebre".
Gato por lebre
O que é Orientação vocacional? Quais os objetivos e quais as técnicas utilizadas numa Orientação vocacional?
Uma escola que oferece cursos profissionalizantes em uma determinada área de atuação pode realizar testes e orientação vocacional com alunos de determinadas escolas direcionando-os aos interesses da própria escola?
O que relato a seguir, aconteceu comigo esta semana.
A escola Eurodata - Educação para o mercado de trabalho, da cidade de São José do Rio Preto, esteve na escola onde meu filho estuda, E.E.Vitor Brito Bastos, oferecendo aos alunos a oportunidade de realizar uma "Orientação vocacional". A mesma oferta feita na escola, foi posteriormente feita à mim por contato telefônico, onde o funcionário explicou-me que seria realizado por um profissional especializado um teste vocacional e posteriormente uma orientação vocacional visando a orientação de meu filho para concorrer no mercado de trabalho. Deixando claro que após a orientação, se houvesse interesse nos cursos oferecidos pela escola meu filho teria direito à um desconto no valor das mensalidades e da matrícula. Foi-me solicitado que marcasse data e horário para comparecermos à escola e que não faltássemos.
Acostumada às estratégias e manobras de convencimento já usuais em casos assim, onde se pretende "vender" muito mais do que "prestar" um serviço logo imaginei do que se tratava. Porém, o interesse de meu filho em fazer o teste e o meu próprio em conferir a proposta apresentada, fizeram com que me dispusesse a levá-lo até lá.
Creio que seja importante esclarecer o que eu, particularmente, entendia por "Orientação vocacional", antes mesmo de rondar a internet afim de confirmar meus conhecimentos sobre o assunto.
Entendo que a "Orientação vocacional" é um processo que implica em duas etapas: num primeiro momento a pessoa (no caso, o aluno) realiza um teste, chamado "teste vocacional" que pode conter perguntas, jogos e atividades, tendo por objetivo avaliar e determinar aptidões e habilidades para determinadas áreas de atuação dentro do mercado de trabalho. Ou seja, a vocação da pessoa, daí o termo "vocacional".
Num segundo momento, o aluno é orientado sobre a aplicação destas habilidades na sua formação profissional. Campos de atuação, oferta de mercado, competitividade, e tudo o que se possa saber sobre como concorrer e garantir uma vaga.
Constatei após algumas leituras sobre o assunto que meus conhecimentos não estavam equivocados, e que equivocada mesmo era a proposta feita à mim e ao meu filho pela escola em questão.
Ao chegarmos à escola, fomos muito bem recebidos e orientados a aguardar pela funcionária que realizaria a atividade proposta conosco.
Ao se apresentar, como "Orientadora Vocacional" a funcionária nos convidou a conhecer a escola, que tem suas atividades e cursos voltados preferencialmente para a área da informática.
Conhecemos todas as dependências da escola, e após, em sua sala a orientadora nos apresentou estruturalmente a Escola através de imagens, gráficos e textos muito bem elaborados que ela ia "lendo" e nos mostrando na tela do computador.
Até aí, já estávamos a cerca de vinte minutos com a orientadora e nada do que havia sido proposto aconteceu.
Nos últimos dez minutos da visita, (programada para durar trinta) foi que se passou a realizar a "Orientação vocacional".
Duas etapas de perguntas superficiais, totalmente direcionadas para a área de informática e, sob a minha ótica de mãe e consumidora, nem um pouco relevantes para a orientação vocacional de meu filho. E no final, uma avaliação também superficial, pouco motivadora e tendenciosa.
Chamou-me a atenção a seguinte frase na avaliação de meu filho:
"Seus conhecimentos em informática estão muito abaixo da média exigida pelo mercado. A necessidade de atualização é URGENTE."
Ora, não creio que haja mesmo uma necessidade URGENTE em atualizar os conhecimentos de informática para concorrer no mercado de trabalho quando se trata um menino de treze anos. E também não creio que, se por acaso meu filho escolher uma área de atuação que não tenha como requisito essencial estes conhecimentos ele realmente precise especializar-se no assunto.
Acredito que a "Orientação vocacional" de fato vai muito além de testar os conhecimentos do aluno, e consequentemente a necessidade de especialização numa determinada área, no caso a informática. Ela deveria ser abrangente para todas as áreas de atuação profissional, totalmente imparcial e descomprometida com qualquer serviço oferecido pela escola, e bem mais comprometida com os interesses e as capacidades do aluno avaliado.
Em suma, a Escola Eurodata está vendendo "gato por lebre" ou, sendo mais objetiva, está veiculando propaganda enganosa. Utiliza-se de uma manobra simpática e atraente ao jovem que ainda não está certo de suas capacidades e portanto está indeciso quanto à suas escolhas, para "vender o seu peixe".
Meu filho foi avaliado com o termo "muito abaixo da média" (em informática) sem sequer ser perguntado sobre as carreiras que pretendia ou gostaria de seguir. Nenhuma das perguntas relacionavam os interesses dele à outras áreas de atuação e nenhum outro recurso, como jogos ou atividades, foi utilizado para sua avaliação.
Ao final da visita, um dos cursos da escola foi indicado como extremamente necessário à sua formação profissional. O que, é claro, já era esperado.
Embora eu não julgue a atuação da "orientadora vocacional" em questão como eficiente e bem conduzida, haja vista que não me convenceu e nem ao meu filho, sei que muitos pais preocupados com a formação de seus filhos mas com pouco conhecimento sobre as armadilhas deste mercado consumista e inescrupuloso acabam por fazer sacrifícios muito acima de suas possibilidades seduzidos por este tipo de propaganda.
Uma escola que apresenta títulos, prêmios, e reconhecimento de seu trabalho por órgãos idôneos como Fundação Abrinq, MEC, selo ISO 9001 certamente é vista como exemplo de lisura e transparência. Porém, novamente sob minha ótica de mãe e consumidora, ela peca quando tenta conduzir e influenciar as escolhas dos alunos, ao invés de realmente orientar e proporcionar conhecimento para que os mesmos possam fazer as suas próprias escolhas com segurança e auto-confiança.
Gostaria imensamente que os padrões de qualidade altíssimos de determinadas instituições não fossem utilizados como ferramentas de manipulação, indução, e desrespeito ao indivíduo e ao cidadão.
Ainda acho que ser grande e poderoso, não implica necessariamente em subjugar os mais fracos, mas por outra, em fazê-los mais fortes e independentes, pois a vida não dá garantias a quem pode ou paga mais. E o tempo é implacável e verdadeiramente imparcial, não se conta em moedas.
Abaixo, listo alguns endereços da web onde se pode ler sobre "Orientação vocacional".
http://www.mundovestibular.com.br/articles/130/1/ORIENTACAO-VOCACIONAL/Paacutegina1.html
http://users.hotlink.com.br/stigre/vocacao.htm
http://www.netpsi.com.br/artigos/140704_orientvoc.htm
http://www.terra.com.br/istoe/1651/educacao/1651_hora_educacao.htm
http://www.oportaldosestudantes.com.br/testevoc.asp
Vale lembrar, que nossa cidade conta com duas excelentes opções de formação tanto em nível técnico quanto em nível superior na área de informática, gestão de negócios e outros, todos gratuitos. O Centro Paula Souza, com dois núcleos em Rio Preto:
Escola técnica
Etec Philadelpho Gouvêa Netto
Av. dos Estudantes, 3278 - Jardim Aeroporto
CEP 15035-010 - São José do Rio Preto/SP
Tel/Fax: (17) 3233-9266 / 9823
Faculdade de Tecnologia
Fatec Rio Preto
câmpus Profª Olga Malluk Lopes da Silva
Rua Fernandópolis, 2510 - Eldorado
CEP 15043-020 - São José do Rio Preto - SP
Tel/ Fax: (17) 3219-1433
Monica San
mpvsantos@yahoo.com.br
Gato por lebre
O que é Orientação vocacional? Quais os objetivos e quais as técnicas utilizadas numa Orientação vocacional?
Uma escola que oferece cursos profissionalizantes em uma determinada área de atuação pode realizar testes e orientação vocacional com alunos de determinadas escolas direcionando-os aos interesses da própria escola?
O que relato a seguir, aconteceu comigo esta semana.
A escola Eurodata - Educação para o mercado de trabalho, da cidade de São José do Rio Preto, esteve na escola onde meu filho estuda, E.E.Vitor Brito Bastos, oferecendo aos alunos a oportunidade de realizar uma "Orientação vocacional". A mesma oferta feita na escola, foi posteriormente feita à mim por contato telefônico, onde o funcionário explicou-me que seria realizado por um profissional especializado um teste vocacional e posteriormente uma orientação vocacional visando a orientação de meu filho para concorrer no mercado de trabalho. Deixando claro que após a orientação, se houvesse interesse nos cursos oferecidos pela escola meu filho teria direito à um desconto no valor das mensalidades e da matrícula. Foi-me solicitado que marcasse data e horário para comparecermos à escola e que não faltássemos.
Acostumada às estratégias e manobras de convencimento já usuais em casos assim, onde se pretende "vender" muito mais do que "prestar" um serviço logo imaginei do que se tratava. Porém, o interesse de meu filho em fazer o teste e o meu próprio em conferir a proposta apresentada, fizeram com que me dispusesse a levá-lo até lá.
Creio que seja importante esclarecer o que eu, particularmente, entendia por "Orientação vocacional", antes mesmo de rondar a internet afim de confirmar meus conhecimentos sobre o assunto.
Entendo que a "Orientação vocacional" é um processo que implica em duas etapas: num primeiro momento a pessoa (no caso, o aluno) realiza um teste, chamado "teste vocacional" que pode conter perguntas, jogos e atividades, tendo por objetivo avaliar e determinar aptidões e habilidades para determinadas áreas de atuação dentro do mercado de trabalho. Ou seja, a vocação da pessoa, daí o termo "vocacional".
Num segundo momento, o aluno é orientado sobre a aplicação destas habilidades na sua formação profissional. Campos de atuação, oferta de mercado, competitividade, e tudo o que se possa saber sobre como concorrer e garantir uma vaga.
Constatei após algumas leituras sobre o assunto que meus conhecimentos não estavam equivocados, e que equivocada mesmo era a proposta feita à mim e ao meu filho pela escola em questão.
Ao chegarmos à escola, fomos muito bem recebidos e orientados a aguardar pela funcionária que realizaria a atividade proposta conosco.
Ao se apresentar, como "Orientadora Vocacional" a funcionária nos convidou a conhecer a escola, que tem suas atividades e cursos voltados preferencialmente para a área da informática.
Conhecemos todas as dependências da escola, e após, em sua sala a orientadora nos apresentou estruturalmente a Escola através de imagens, gráficos e textos muito bem elaborados que ela ia "lendo" e nos mostrando na tela do computador.
Até aí, já estávamos a cerca de vinte minutos com a orientadora e nada do que havia sido proposto aconteceu.
Nos últimos dez minutos da visita, (programada para durar trinta) foi que se passou a realizar a "Orientação vocacional".
Duas etapas de perguntas superficiais, totalmente direcionadas para a área de informática e, sob a minha ótica de mãe e consumidora, nem um pouco relevantes para a orientação vocacional de meu filho. E no final, uma avaliação também superficial, pouco motivadora e tendenciosa.
Chamou-me a atenção a seguinte frase na avaliação de meu filho:
"Seus conhecimentos em informática estão muito abaixo da média exigida pelo mercado. A necessidade de atualização é URGENTE."
Ora, não creio que haja mesmo uma necessidade URGENTE em atualizar os conhecimentos de informática para concorrer no mercado de trabalho quando se trata um menino de treze anos. E também não creio que, se por acaso meu filho escolher uma área de atuação que não tenha como requisito essencial estes conhecimentos ele realmente precise especializar-se no assunto.
Acredito que a "Orientação vocacional" de fato vai muito além de testar os conhecimentos do aluno, e consequentemente a necessidade de especialização numa determinada área, no caso a informática. Ela deveria ser abrangente para todas as áreas de atuação profissional, totalmente imparcial e descomprometida com qualquer serviço oferecido pela escola, e bem mais comprometida com os interesses e as capacidades do aluno avaliado.
Em suma, a Escola Eurodata está vendendo "gato por lebre" ou, sendo mais objetiva, está veiculando propaganda enganosa. Utiliza-se de uma manobra simpática e atraente ao jovem que ainda não está certo de suas capacidades e portanto está indeciso quanto à suas escolhas, para "vender o seu peixe".
Meu filho foi avaliado com o termo "muito abaixo da média" (em informática) sem sequer ser perguntado sobre as carreiras que pretendia ou gostaria de seguir. Nenhuma das perguntas relacionavam os interesses dele à outras áreas de atuação e nenhum outro recurso, como jogos ou atividades, foi utilizado para sua avaliação.
Ao final da visita, um dos cursos da escola foi indicado como extremamente necessário à sua formação profissional. O que, é claro, já era esperado.
Embora eu não julgue a atuação da "orientadora vocacional" em questão como eficiente e bem conduzida, haja vista que não me convenceu e nem ao meu filho, sei que muitos pais preocupados com a formação de seus filhos mas com pouco conhecimento sobre as armadilhas deste mercado consumista e inescrupuloso acabam por fazer sacrifícios muito acima de suas possibilidades seduzidos por este tipo de propaganda.
Uma escola que apresenta títulos, prêmios, e reconhecimento de seu trabalho por órgãos idôneos como Fundação Abrinq, MEC, selo ISO 9001 certamente é vista como exemplo de lisura e transparência. Porém, novamente sob minha ótica de mãe e consumidora, ela peca quando tenta conduzir e influenciar as escolhas dos alunos, ao invés de realmente orientar e proporcionar conhecimento para que os mesmos possam fazer as suas próprias escolhas com segurança e auto-confiança.
Gostaria imensamente que os padrões de qualidade altíssimos de determinadas instituições não fossem utilizados como ferramentas de manipulação, indução, e desrespeito ao indivíduo e ao cidadão.
Ainda acho que ser grande e poderoso, não implica necessariamente em subjugar os mais fracos, mas por outra, em fazê-los mais fortes e independentes, pois a vida não dá garantias a quem pode ou paga mais. E o tempo é implacável e verdadeiramente imparcial, não se conta em moedas.
Abaixo, listo alguns endereços da web onde se pode ler sobre "Orientação vocacional".
http://www.mundovestibular.com.br/articles/130/1/ORIENTACAO-VOCACIONAL/Paacutegina1.html
http://users.hotlink.com.br/stigre/vocacao.htm
http://www.netpsi.com.br/artigos/140704_orientvoc.htm
http://www.terra.com.br/istoe/1651/educacao/1651_hora_educacao.htm
http://www.oportaldosestudantes.com.br/testevoc.asp
Vale lembrar, que nossa cidade conta com duas excelentes opções de formação tanto em nível técnico quanto em nível superior na área de informática, gestão de negócios e outros, todos gratuitos. O Centro Paula Souza, com dois núcleos em Rio Preto:
Escola técnica
Etec Philadelpho Gouvêa Netto
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CEP 15035-010 - São José do Rio Preto/SP
Tel/Fax: (17) 3233-9266 / 9823
Faculdade de Tecnologia
Fatec Rio Preto
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Rua Fernandópolis, 2510 - Eldorado
CEP 15043-020 - São José do Rio Preto - SP
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segunda-feira, 2 de março de 2009
Qual o meu papel na administração pública?
"Administração pública (ou gestão pública) é o conjunto de órgãos, serviços e agentes do Estado que asseguram a satisfação das necessidades coletivas variadas, tais como a segurança, a cultura, a saúde e o bem estar das populações.
Estado é uma instituição organizada politicamente, socialmente e juridicamente, ocupando um território definido, normalmente onde a lei máxima é uma Constituição escrita, e dirigida por um governo que possui soberania reconhecida tanto interna como externamente. Um Estado soberano é sintetizado pela máxima "Um governo, um povo, um território". O Estado é responsável pela organização e pelo controle social, pois detém, segundo Max Weber, o monopólio legítimo do uso da força (coerção, especialmente a legal)." (Fragmento retirado do artigo sobre Administração pública, do site Wikipédia)
Aqui, ao falarmos de Estado, estamos falando do município, porque é ele nosso tema central.
A administração pública gere as ações do Estado em benefício de uma coletividade, em benefício do povo.
Seu principal objetivo é o interesse público, seguindo os princípios constitucionais da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.
Sua soberania assegura-se por um conjunto de leis constitucionais, por ações administrativas limpas, claras, e justas, mas especialmente pelo exercício político e social do poder público. Um Estado que não prima pela dignidade e pelo respeito ao seu povo, não é digno de ser chamado soberano.
Mas garantir que o Estado seja soberano não é função e responsabilidade apenas do prefeito e do poder legislativo, e sim de todo cidadão.
Todos nós temos obrigações neste processo de construção da nossa soberania. Temos não apenas o direito (e o dever) de eleger nossos representantes, mas especialmente de garantir que seu trabalho será de fato o reflexo das necessidades do povo. Mas como fazer isto?
Participar ativamente das discussões e decisões que serão tomadas por eles no exercício de suas funções, é sem dúvida o melhor caminho.
Por exemplo, você sabe quem são seus representantes no município? Que o prefeito, embora seja o poder maior do município não decide nada sozinho? Que os vereadores (escolhidos por você) são a força maior desta Casa, pois são eles quem criam os projetos, apresentam soluções, discutem as ações necessárias para gerir os recursos, distribuir verbas, etc.?
E que você pode ajudá-los participando de tudo isso?
O poder legislativo cria leis e projetos e distribui tarefas, e as secretarias administram estas tarefas. Há na máquina administrativa uma série de recursos e mecanismos que possibilitam uma participação mais ativa e direta da população neste processo.
E é sobre isto que vamos tratar nos próximos artigos.
Quais são estes mecanismos e como podemos fazer parte deles?
Estado é uma instituição organizada politicamente, socialmente e juridicamente, ocupando um território definido, normalmente onde a lei máxima é uma Constituição escrita, e dirigida por um governo que possui soberania reconhecida tanto interna como externamente. Um Estado soberano é sintetizado pela máxima "Um governo, um povo, um território". O Estado é responsável pela organização e pelo controle social, pois detém, segundo Max Weber, o monopólio legítimo do uso da força (coerção, especialmente a legal)." (Fragmento retirado do artigo sobre Administração pública, do site Wikipédia)
Aqui, ao falarmos de Estado, estamos falando do município, porque é ele nosso tema central.
A administração pública gere as ações do Estado em benefício de uma coletividade, em benefício do povo.
Seu principal objetivo é o interesse público, seguindo os princípios constitucionais da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.
Sua soberania assegura-se por um conjunto de leis constitucionais, por ações administrativas limpas, claras, e justas, mas especialmente pelo exercício político e social do poder público. Um Estado que não prima pela dignidade e pelo respeito ao seu povo, não é digno de ser chamado soberano.
Mas garantir que o Estado seja soberano não é função e responsabilidade apenas do prefeito e do poder legislativo, e sim de todo cidadão.
Todos nós temos obrigações neste processo de construção da nossa soberania. Temos não apenas o direito (e o dever) de eleger nossos representantes, mas especialmente de garantir que seu trabalho será de fato o reflexo das necessidades do povo. Mas como fazer isto?
Participar ativamente das discussões e decisões que serão tomadas por eles no exercício de suas funções, é sem dúvida o melhor caminho.
Por exemplo, você sabe quem são seus representantes no município? Que o prefeito, embora seja o poder maior do município não decide nada sozinho? Que os vereadores (escolhidos por você) são a força maior desta Casa, pois são eles quem criam os projetos, apresentam soluções, discutem as ações necessárias para gerir os recursos, distribuir verbas, etc.?
E que você pode ajudá-los participando de tudo isso?
O poder legislativo cria leis e projetos e distribui tarefas, e as secretarias administram estas tarefas. Há na máquina administrativa uma série de recursos e mecanismos que possibilitam uma participação mais ativa e direta da população neste processo.
E é sobre isto que vamos tratar nos próximos artigos.
Quais são estes mecanismos e como podemos fazer parte deles?
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