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sexta-feira, 12 de agosto de 2011

"panis et circenses" ... e a história se repete

 Lá vamos nós de novo.

Por mais que eu faça poesia e tente, desta forma, amenizar  a falta dos belos sentimentos que deveriam mover a humanidade, a consciência de ser um "animal político" como dizia Aristóteles, as vezes me põe os pés no chão.
E só aí é que sinto quanto doem os meus calos, porque enquanto poeta, eu sou como a bailarina que no sonho da menina não tem caca de nariz, não tem remela nem unha encardida, e nem calos.
Mas, quando a bailarina (ou poeta) desperta do sonho, torna-se um ser político e crítico, e, ainda poeta porém agora desperta, sangra... como nas palavras de Saramago: "se tens um coração de ferro, bom proveito. O meu, fizeram-no de carne, e sangra todo dia."

Claro que, com um bom tanto de drama típico de poetas e românticos, andei sangrando horrores estes dias.
De raiva, de revolta, de nojo! A boa e velha política, uma das formas mais antigas de o homem governar, decidir, organizar, e que deveria na verdade "servir ao povo" (politikós: dos cidadãos, pertencente aos cidadãos), em nossa querida cidade andou e tem andado às avessas.
E não é de hoje que temos assistido de camarote a um verdadeiro circo dos horrores, onde o Mestre de cerimônia ocupa a cadeira de chefe maior seguido de palhaços-marionetes muito bem conduzidos através de uma linha-político-porca que nos torna meros espectadores de um espetáculo deprimente.
Opa, eu disse meros espectadores?

Nem tão simples nem tão passíveis assim. Ao menos não foi isso que se viu no último dia 11, na última sessão da câmara de vereadores de Rio Preto, que acabou literalmente em circo. A palhaçada foi completa, mas quem riu por último desta vez foi a platéia, como seria justo.
Mesmo com as manobras feitas pelo presidente da Casa, Oscarzinho Pimentel, para evitar a participação popular, o "pacote dos horrores" ou pacote da maldade como tem sido chamado pelo povo e pela mídia o projeto de lei que aumenta para 23 o número de vereadores, aumenta os salários de vereadores, prefeito, secretários, cria novos cargos comissionados e torna ainda maior a pantomima, não foi aprovado. 

E embora o Sr. Oscarzinho ("inho" mesmo, de pequeno, mínimo, medíocre) tenha realizado outra manobra adiando a votação por "falta de condições para trabalhar", tenho certeza de que a grande massa pensante, que agora resolveu também agir marcará presença na próxima sessão e em tantas outras quanto forem necessárias para derrubar de vez estes e outros projetos sujos que nos fazem sentir vergonha de sermos rio-pretenses.
E mais que isso, acredito que esta seja apenas a primeira de muitas manifestações populares que ainda estão por vir.

A passividade do povo também tem seus limites e o nariz vermelho felizmente, serve muito mais ao riso do que ao horror.

Monica San 

Para ler a matéria acesse: 
 http://www.diarioweb.com.br/novoportal/Noticias/Politica/72827,,Oscarzinho+encerra+sessao+e+vereadores+saem+escoltados.aspx




sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Mais uma tragédia na saúde - até quando?

É, os problemas não param não. Vai ser preciso muito empenho e dedicação de muita gente pra que esta administração não seja mais um fiasco. Afinal, está começando muito mal.

Nosso prefeito parece estar numa saia justa tendo que explicar (e não explicando nada) sobre sua afirmação logo na primeira semana, de ter pego a prefeitura com "caixa zero". O que foi desmentido pelo Balanço da Prefeitura de Rio Preto sobre as contas de 2008.
Segundo a secretária da Fazenda, Mary Brito, a prefeitura terminou 2008 com R$7,5 milhões "livres".
Perguntado sobre o assunto, o prefeito desconversou.
Mas não se pode negar os fatos, resta saber quais serão as prioridades, já que falta de caixa não poderá ser motivo para não investir nos setores mais urgentes e deficientes do município.
Como a saúde, por exemplo.

No jornal Bom dia, a manchete principal de hoje é lamentável:

"Morte de mulher após erro médico vira caso de polícia em Rio Preto."

Mais uma vez, o atendimento deficiente nos postos de saúde, neste caso a unidade do bairro Santo Antonio - zona norte, é responsável por uma tragédia.

"A Polícia Civil de Rio Preto instaurou, ontem, inquérito para apurar se houve erro médico no caso da morte de Luciana Patrícia Sales Sabino, 33 anos.

A dona-de-casa sofreu aneurisma cerebral, mas recebeu diagnóstico de enxaqueca em cinco vezes que buscou atendimento na UBS do Santo Antônio. Ela morreu na madrugada de quarta depois ficar 13 dias em coma do Hospital de Base."

Enquanto isso, a Secretaria de obras está às voltas com o atraso na construção do mini-hospital da Zona norte.
No empurra-empurra, O deputado Rodrigo Garcia (DEM), de Rio Preto, que é secretário de Desburocratização do município de São Paulo, informou à assessoria do Estado que o atraso já aconteceu antes porque o município não prestou contas, já o secretário de Obras de Rio Preto, Luís Carlos de Queiroz Pereira Calças, afirmou que as medições estão em dia e que o atraso é do Estado.

Fico imaginando como deverá funcionar este hospital que está ainda sendo construído, levando-se em consideração o funcionamento atual dos postos de saúde.
E pergunto novamente: precisamos mesmo de mais construções, mais gastos, mais tempo perdido esbarrando em burocracias, protocolos, jogos de interesses, e impedindo que os serviços já existentes recebam a atenção e os cuidados necessários para funcionarem de forma adequada e que atenda às necessidades reais da população?

Enquanto a família chora a perda, o Conselho Regional de Medicina, a Secretaria de Saúde, e o delegado titular do 4º Distrito Policial, Valdir Carvalho, tentam apurar os fatos e punir os responsáveis pelo atendimento.

E como diz a canção: "Tudo isso acontecendo e eu aqui na praça, dando milho aos pombos".

Mas eu estou de olho, e você?

(As notícias citadas aqui, encontram-se detalhadas no Jornal Bom Dia)