Até parece que hoje foi dia de eleição e acabamos de ver nossos candidatos derrotados no pleito.
Mas por incrível que pareça, é ainda pior.
Acabamos de ver os candidatos em quem muitos de nós depositamos confiança, uma confiança cega como é notório em política, zombando da nossa cara, dando uma banana gigante para as nossas esperanças e os valores depositados em seus nomes.
Indignação, revolta, repúdia, são alguns dos sentimentos que tornaram-se visíveis nos olhos daqueles que acompanhavam ansiosos (do lado de fora) a votação de hoje na Câmara de Rio Preto.
O projeto dos Cargos comissionados, os apadrinhados como são conhecidos, foi aprovado por quase unanimidade. Apenas três votos em favor da dignidade, apenas três legítimos representantes do povo tiveram coragem e dignidade suficientes para falar em seu nome e defender sua vontade.
Treze foi o número da derrota. Ou da vitória.
A vitória apenas de mais um projeto, a custas de manobras sujas, como tantas da atual administração. Mas treze também foi o número da verdade, daqueles que hoje mostraram a cara ao povo deixando cair a máscara do populismo e da demagogia que os elegeram, a verdade de sabermos que nem sempre nossas escolhas são acertadas mas que sempre há tempo para novas tentativas.
O que se viu hoje foi lamentável e ao mesmo tempo louvável.
Do lado de dentro da "Casa do povo" via-se a Ditadura da Democracia, o autoritarismo covarde de quem teme a massa mas finge não precisar dela, mesmo tendo sido escolhido por ela.
Do lado de fora via-se a Democracia florescendo, algo raro em nossa cidade até então, quiçá um primeiro movimento, tão autêntico e legítimo quanto a força que detém um povo.
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terça-feira, 16 de agosto de 2011
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Rio Preto em cima do salto
Num dos belos textos de Cora Coralina, "Conclusões de Aninha", muito simples e sabiamente ela nos conta sobre coisas que vivemos todos os dias.
"A quem te pedir um peixe, dá uma vara de pescar.Pensando bem, não só a vara de pescar, também a linhada, o anzol, a chumbada, a isca, apontar um poço piscoso e ensinar a paciência do pescador.
Você faria isso, Leitor?
Antes que tudo isso se fizesse o desvalido não morreria de fome?
Conclusão:
Na prática, a teoria é outra."
O texto vem recheado com sabedoria suficiente para nos levar à várias reflexões e a tirar também nossas próprias conclusões.Em Rio Preto, por exemplo, os jornais dos últimos dias apontam para grandes novidades que deverão mudar a vida de muitos riopretenses.
Um entreposto da Zona Franca de Manaus, grande investimento do Governo do Estado, deverá fortalecer ainda mais o comércio da cidade, atrair o investimento das cidades vizinhas, e favorecer diversos setores com o crescimento do capital circulante. Também teremos, segundo nosso prefeito, um novo aeroporto com maior capacidade, uma nova rodoviária, além da obra imensa e jamais realizada na cidade para acabar com as enchentes, que já vem acontecendo há alguns meses. Claro que as custas de algumas árvores nativas que foram arrancadas, da concretagem do rio, e com uma certa "imprevisibilidade" sobre a conclusão da obra (será que termina antes do fim deste mandato? será que as enchentes não serão apenas empurradas para a boa e velha zona norte?).
Ah não, eu já ia me esquecendo, a zona norte agora terá um Shopping Center, não poderia correr o risco de ser inundada novamente pelas enchentes.
Rio Preto parece se preparar para saltos altos (salto agulha, será?).
Só o que parece não mudar por aqui é a vida real, esta que pulsa e ferve nas noites e nas ruas riopretenses. Não muda e parece não incomodar muita gente.
O Carnariopreto liberou a entrada de menores desacompanhados. Ano passado foi proibido, mas os pais entravam com eles e depois saíam, deixando-os lá, e a justiça foi feita de boba.
"A justiça é cega mas tem as mãos limpinhas", essa deve ter sido a teoria utilizada para a liberação deste ano.
"Os pais que se responsabilizem por seus filhos" ou "Quem pariu Mateus que embale" não é?
E assim caminha a humanidade.
Sempre pensei que zelar pela vida, pela liberdade de ir e vir, pelos direitos de cada cidadão de ter seus direitos respeitados e preservados, fosse função não apenas de cada indivíduo mas especialmente das pessoas a quem escolhemos em pleito para nos representar, dos magistrados que pagamos (e caro) para fazer as leis e fazê-las cumprir, e enfim, daqueles que juraram em suas posses e formaturas um compromisso com a verdade, com a vida, e blá, blá, blá, blá, blá, blá....
É, pensar as vezes custa caro. As vezes dói, revolta, e muitas vezes nos faz perceber que tem gente demais pensando de menos. De que me vale o entreposto da ZFM, o Shopping Iguatemi, o novo aeroporto, a nova rodoviária, se não posso sequer levar meu filho à praça do meu bairro, que fica a meio quarteirão de casa? Os "mano" tomaram conta dela. Rola por lá "uns baseado" da hora... das três, das quatro, das seis (da tarde).
Na entrada da escola, do lado de fora, o cheiro característico não é das meninas perfumadas nem dos meninos saradões, suadões da malhação, mas da canabis que vai de mão em mão nas rodinhas, sem que ninguém se intrometa ou se manifeste contra. Ai de quem o fizer.
Sem contar nos horários de rua vazia, cedinho ou madrugada, quando não é dificil ver-se um pulando o muro da escola, enquanto o outro "vigia". Viatura da polícia por aqui, vez ou outra até tem. Eles dão uma passadinha, tipo, visitinha de médico. "Pra quem é..." o resto a gente conhece bem.
Mas o que será que todo esse trololó tem a ver com o texto da Cora? Pois é.
As novas obras, dizem, trarão para a cidade milhares de novos empregos.
Então, para que se preocupar em tirar os jovens das ruas? Para que acudir a urgência, se há tempo suficiente para mostrar o caminho do trabalho e da dignidade e esperar que eles aprendam a "pescar"?
Cada um que cuide da sua urgência, das suas crias, das suas mazelas.
O poder público não tem a obrigação de cuidar dos filhos de pais negligentes, mesmo que estes (os filhos) estejam nas ruas (vias públicas, e portanto responsabilidade do poder público), se prostituindo, se drogando, aliciando outros mais jovens, e se matando.
Há coisas bem mais importantes para se fazer. Shoppings Centers, por exemplo.
É muita conivência, para tão "pouca" cidade. Muito caviar, nesse angu de caroço.
Monica San
Para ler "Conclusões de Aninha" acesse: http://www.releituras.com/coracoralina_aninha.asp
http://www.diariosp.com.br/_conteudo/2010/09/7310-cidade+recebera+entreposto+da+zona+franca+de+manaus.html
http://www.riopreto.sp.gov.br/PortalGOV/do/noticias?op=viewForm&coConteudo=58834
segunda-feira, 2 de março de 2009
Qual o meu papel na administração pública?
"Administração pública (ou gestão pública) é o conjunto de órgãos, serviços e agentes do Estado que asseguram a satisfação das necessidades coletivas variadas, tais como a segurança, a cultura, a saúde e o bem estar das populações.
Estado é uma instituição organizada politicamente, socialmente e juridicamente, ocupando um território definido, normalmente onde a lei máxima é uma Constituição escrita, e dirigida por um governo que possui soberania reconhecida tanto interna como externamente. Um Estado soberano é sintetizado pela máxima "Um governo, um povo, um território". O Estado é responsável pela organização e pelo controle social, pois detém, segundo Max Weber, o monopólio legítimo do uso da força (coerção, especialmente a legal)." (Fragmento retirado do artigo sobre Administração pública, do site Wikipédia)
Aqui, ao falarmos de Estado, estamos falando do município, porque é ele nosso tema central.
A administração pública gere as ações do Estado em benefício de uma coletividade, em benefício do povo.
Seu principal objetivo é o interesse público, seguindo os princípios constitucionais da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.
Sua soberania assegura-se por um conjunto de leis constitucionais, por ações administrativas limpas, claras, e justas, mas especialmente pelo exercício político e social do poder público. Um Estado que não prima pela dignidade e pelo respeito ao seu povo, não é digno de ser chamado soberano.
Mas garantir que o Estado seja soberano não é função e responsabilidade apenas do prefeito e do poder legislativo, e sim de todo cidadão.
Todos nós temos obrigações neste processo de construção da nossa soberania. Temos não apenas o direito (e o dever) de eleger nossos representantes, mas especialmente de garantir que seu trabalho será de fato o reflexo das necessidades do povo. Mas como fazer isto?
Participar ativamente das discussões e decisões que serão tomadas por eles no exercício de suas funções, é sem dúvida o melhor caminho.
Por exemplo, você sabe quem são seus representantes no município? Que o prefeito, embora seja o poder maior do município não decide nada sozinho? Que os vereadores (escolhidos por você) são a força maior desta Casa, pois são eles quem criam os projetos, apresentam soluções, discutem as ações necessárias para gerir os recursos, distribuir verbas, etc.?
E que você pode ajudá-los participando de tudo isso?
O poder legislativo cria leis e projetos e distribui tarefas, e as secretarias administram estas tarefas. Há na máquina administrativa uma série de recursos e mecanismos que possibilitam uma participação mais ativa e direta da população neste processo.
E é sobre isto que vamos tratar nos próximos artigos.
Quais são estes mecanismos e como podemos fazer parte deles?
Estado é uma instituição organizada politicamente, socialmente e juridicamente, ocupando um território definido, normalmente onde a lei máxima é uma Constituição escrita, e dirigida por um governo que possui soberania reconhecida tanto interna como externamente. Um Estado soberano é sintetizado pela máxima "Um governo, um povo, um território". O Estado é responsável pela organização e pelo controle social, pois detém, segundo Max Weber, o monopólio legítimo do uso da força (coerção, especialmente a legal)." (Fragmento retirado do artigo sobre Administração pública, do site Wikipédia)
Aqui, ao falarmos de Estado, estamos falando do município, porque é ele nosso tema central.
A administração pública gere as ações do Estado em benefício de uma coletividade, em benefício do povo.
Seu principal objetivo é o interesse público, seguindo os princípios constitucionais da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.
Sua soberania assegura-se por um conjunto de leis constitucionais, por ações administrativas limpas, claras, e justas, mas especialmente pelo exercício político e social do poder público. Um Estado que não prima pela dignidade e pelo respeito ao seu povo, não é digno de ser chamado soberano.
Mas garantir que o Estado seja soberano não é função e responsabilidade apenas do prefeito e do poder legislativo, e sim de todo cidadão.
Todos nós temos obrigações neste processo de construção da nossa soberania. Temos não apenas o direito (e o dever) de eleger nossos representantes, mas especialmente de garantir que seu trabalho será de fato o reflexo das necessidades do povo. Mas como fazer isto?
Participar ativamente das discussões e decisões que serão tomadas por eles no exercício de suas funções, é sem dúvida o melhor caminho.
Por exemplo, você sabe quem são seus representantes no município? Que o prefeito, embora seja o poder maior do município não decide nada sozinho? Que os vereadores (escolhidos por você) são a força maior desta Casa, pois são eles quem criam os projetos, apresentam soluções, discutem as ações necessárias para gerir os recursos, distribuir verbas, etc.?
E que você pode ajudá-los participando de tudo isso?
O poder legislativo cria leis e projetos e distribui tarefas, e as secretarias administram estas tarefas. Há na máquina administrativa uma série de recursos e mecanismos que possibilitam uma participação mais ativa e direta da população neste processo.
E é sobre isto que vamos tratar nos próximos artigos.
Quais são estes mecanismos e como podemos fazer parte deles?
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